sábado, 14 de setembro de 2013

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector

Perto Do Coração Selvagem
A amoralidade diante da maldade. O instinto na condução da trama, com uma certa dose de automartírio. A história de Joana — não a Virgem d’Orleans, mas a personagem de Clarice Lispector nesta obra de estréia, marcou a ficção brasileira em 1944. A narrativa inovadora (ainda hoje) provocou frisson nos círculos literários. A técnica de Clarice Lispector funde subjetividade com objetividade, alterna os focos literários e o tempo cronológico dá lugar ao psicológico (o presente entremeado ao intermitente flashback).A leitura é caleidoscópica. A protagonista ora tem uma cor, ora outra, conforme o momento ("real" ou onírico). As cores dançam no enredo misturado ao cenário e às sensações da menina-mulher-amante. Joana desfila na vida dos outros personagens, destilando o veneno de víbora, instilado com ironia e respostas cruéis diante dos fatos. A leitura também é lúdica, quando o leitor tenta adivinhar o que a autora preparou páginas adiante e se surpreende com o que presencia. O livro, como os demais títulos de Clarice Lispector relançados pela Rocco, recebeu novo tratamento gráfico e passou por rigorosa revisão de texto, feita pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, baseada em sua primeira edição.

Páginas: 210
Editora: Rocco
Avaliação: 4/5



O Que Achei do Livro:
Joana é uma jovem que está procurando entender melhor as pessoas e a se entender. A jovem lunática passa por momentos difíceis em sua vida, ela fica orfã, vai morar com os tios hipócritas que poucos se importam com ela e a fazem se sentir "sufocada" perante a presença deles.
Em sua juventude, Joana rouba um livro e para o desespero de sua tia ela manda a sobrinha para um colégio interno esperando que ela se torne uma pessoa normal como qualquer outra na sociedade.
Joana se vê atraída por seu professor, um homem perspicaz que entende os pensamentos insanos da aluna. O professor é casado com uma mulher exuberante aos olhos de Joana que se sente feia ao se comparar com ela.
"Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. 
Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo".

Os anos se passam e Joana se casa com Otávio, um homem que mesmo casado trai Joana com sua ex noiva Lídia, uma mulher que é totalmente o oposto da jovem sonhadora. Otávio é apaixonado pelas duas mulheres e sonha em um dia ser pai, mas Lídia é a primeira pessoa a realizar este sonho engravidando e fazendo Otávio se separar de Joana a qual aceita o separo e se sente constrangida de não ter tido filhos com o homem, mesmo por ter se casado sem realmente querer.
Através de pensamentos e viagens, Joana procura encontrar algo que estava precisando desde sua juventude: A liberdade.


Esse foi o segundo livro que li da Clarice Lispector, sendo ele o melhor até agora. Perto do Coração Selvagem foi um livro lançado em 1943 sendo o primeiro livro da Clarice Lispector que foi escrito quando tinha apenas 19 anos.

Joana é uma personagem cativante, me identifiquei com ela desde o começo da história. Gostei bastante da escrita da Clarice, sendo que não é uma escrita qualquer, pois em alguns momentos tive que entender os pensamentos da autora e o que ela poderia estar passando naquele momento em sua vida, entretanto a história tem muitos desabafos e pensamentos de Clarice, algumas até muito confusas.

Li esse livro em um momento que estava precisando refletir sobre a vida, ele surgiu na hora exata e me mostrou que nem sempre as coisas acontecem como o esperado. Desejo muito ler outros livros da autora, por mais que eu duvide que algum outro livro dela seja ainda melhor do que esse.

Clarice Lispector não é só uma autora que escreveu frases as quais são postadas quase todos os dias no Facebook por pessoas que nunca ao menos leram suas obras, Clarice Lispector é mais do que isso, é uma autora que nos faz refletir e ver a vida de um modo diferente, notando o quão importante é as simples coisas do nosso dia a dia.
Recomendadíssimo!

Trechos do livro:
“Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la".

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome". 

"Margarida a Violeta conhecia, uma era cega a outra bem louca vivia, a cega entendia o que a louca dizia e acabou vendo o que ninguém mais via...

2 Assuntos:

Dany disse...

*-* sou completamente apaixonada pela forma como a Clarice escreve. Este é apenas um dos muitos livros dela que pretendo ler, um dos meus desejos e ler todos que ele já escreveu.
Beijos, amei a resenha.

Jullyana Martins disse...

Amo Clarice! Adorei a dica, agora fiquei curiosa para ler o livro, rsss.

Estou seguindo seu blog!

Tem post novo, passa lá?
http://sindromedaeradeouro.blogspot.com.br/2013/09/nesse-apartamento.html

Beijos!

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